30/05/14

OPINIÃO: A Copa é um sucesso

A Copa do Mundo de 2014 já é um sucesso antes mesmo da bola rolar. Nunca na história desse país nenhum evento foi capaz, de forma tão eficaz, de mostrar ao mundo a verdadeira cara do país, que se autoproclama Rei do Futebol. Como sempre, nossos representantes afirmaram que essa seria a grande oportunidade de mostrar para todos o que o Brasil tem a oferecer. Sendo assim, tudo o que foi dito naquela época está sendo feito.

Realmente não entendo porque tanta reclamação e protestos, diante de tamanha sinceridade, fato que sempre foi tão cobrado pelos brasileiros, independente de sua classe social. Confesso que me surpreendi. Não esperava que nossos políticos fossem ser tão eficientes. De fundo do meu coração, e quem me conhece sabe que sempre pensei que as obras para o evento mais importante do futebol mundial aconteceriam no esquema “Rouba, mas faz”. Porém isso não aconteceu! Admito que errei.

Conforme foi dito por Joana Havelange, Diretora do ComitêOrganizador Local, filha de Ricardo Teixeira e neta de João Havelange, o quehavia para ser roubado já foi levado, porém as obras não serão entregue. Como disse antes, eu estava errado. Não vai rolar o “Rouba, mas faz”, porém pelo visto entra em cena o “Rouba e não faz”! Éramos felizes e não sabíamos!

Como afirmei no início, a Copa é um sucesso. Não queríamos que o mundo descobrisse o Brasil de verdade? Pronto...o serviço tá feito. Agora todos sabem que vivemos em um país cheio de burocracia, repleto de pessoas arrogantes, que do alto do seu saber cansaram de afirmar que os especialistas no assunto nada sabiam de Brasil e que na hora certa mostraríamos que daríamos o nosso jeitinho. Pois tá aí. Agora nem com jeitinho, nem com milagre dará para se fazer absolutamente nada. Aeroportos caóticos, estradas sucateadas, sistemas de transporte inexistentes e por aí vai. Saúde? Educação? Nem vale a pena ser citado, afinal de contas nunca tivemos isso por aqui e não seria a Copa que traria. Aliás, essa não é a proposta do evento, diga-se de passagem. Se ela não acontecesse por aqui, o cenário seria exatamente o mesmo e essas verbas desperdiçadas, provavelmente, em qualquer outra coisa.
Aeroporto Tom Jobim - Rio de Janeiro

Antes que pense diferente, nunca fui contra a Copa e sigo sendo favorável a mesma. Sou contra o jeito como as coisas são feitas por aqui e que o mundial apenas está evidenciando para todos, aquilo que estávamos cansados de saber. A culpa não é da Copa, a culpa é do Brasil! Como já disse Rica Perrone, este evento se tornou o sofá do corno...troca o sofá! Como se nossos “líderes” não tivessem a criatividade para inventar seja lá o que for para criar um novo esquema para fazer o que estão fazendo. Poderiam até inventar uma festa infantil, que cada bola de gás teria um custo de R$ 100, o bolo sairia por R$25.000, porém no caminho sofreria um grave acidente, o que obrigaria o confeiteiro a refazer o mesmo com um orçamento 3 três vezes maior, claro, sem concorrência devido a urgência do ocorrido. A bandinha que se apresentaria na festinha, seria uma que é muito bem vista entre os convidados, faria diversas propagandas para os organizadores do evento meses depois e, de quebra, ainda posariam de bons moços ao lado de um Luciano Huck da vida. Esse é o Brasil que todos amam.

Infelizmente não existem mocinhos e bandidos nessa história. Somos (quase) todos bandidos. Até quem hoje protesta é bem provável que faça isso porque não conseguiu a vaga que tanto desejava, ou perdeu, quando o político que ele apoia não foi eleito. Pois se tivesse tido sucesso, estaria vivendo no mesmo esquema desses que hoje estão no poder. Ninguém me contou, mas já vi mais de uma vez, pessoas muito engajadas que ao menor sinal de possibilidade de faturar algum, diga-se de passagem honestamente, largam sua ideologia e apoiam o evento de forma fervorosa. Imagina se a luta não fosse por um ideal! Nada contra greves, muito pelo contrário, acho que o brasileiro é um povo esfolado que deveria reclamar sim, porém fazer isso na véspera de um evento que a grande (e põe grande) maioria apoiou e vibrou quando conquistou é que vejo como sem pé nem cabeça. Além disso, pedindo muitas vezes coisas totalmente descabidas e nitidamente para simplesmente tumultuar. Volto a perguntar, será que os movimentos são mesmo movidos pelo ideal das pessoas?  Mais uma vez o brasileiro aproveita a oportunidade para mostrar o seu belo caráter.

Retorno à declaração de Joana Havelange, e mais uma vez (infelizmente) concordo com ela. Quem tinha que roubar, como ela disse, já roubou. Agora quem levará o prejuízo com o fracasso do evento serão aqueles que procuraram investir para ter algum rendimento com o evento. Não me refiro aos mega empresários não. Mas sim aqueles que lutam diariamente para tirar algum nessas ocasiões.

Se tá na moda reclamar de estádio, vamos reclamar. É mais fácil do que pensar em se especializar em gestão né? Afinal todos eles vão se transformar em belos elefantes brancos. Essa teoria é uma das que mais me deixam tristes de ver que já se consolidara até mesmo entre profissionais que admiro passaram a defendê-la. Porém, se esquecem de que qualquer administração bem mais ou menos, pode viabilizar quase qualquer coisa nesses locais nos dias em que não ocorrem eventos esportivos ali. É mais fácil criticar do que procurar entender, porque países ricos investem nessas instalações, não par usá-los apenas nos dias de jogos, mas sim transformá-los em locais úteis para a sociedade, que no caso deles, provavelmente não precisam de escolas ou hospitais, já que eles têm isso em outros locais e modelos. Porém, exemplos não faltam até mesmo de estádios que servem de unidades educacionais durante os dias de semana e são rentáveis para os gestores. Pensar dá trabalho e pra muita gente isso incomoda. É melhor ser “modinha” e criticar do que procurar entender o porquê os eventos esportivos são disputados a tapa por tanta gente.

Perdemos provavelmente a melhor oportunidade que tivemos em séculos, mas mostramos pro mundo a verdadeira cara do Brasil, conforme foi prometido. Penso que merecemos aprimorar nossos representantes, assim como a nossa própria sociedade. Tá cada vez mais complicado viver por aqui. Mas se rolar um evento bacana, com uma pinta cultural, vai ter um monte de gente achando interessante mostrar seu apoio, mesmo que isso também receba apoio governamental e que dê grana pra muita gente que se diz engajado por aí.

Em outubro quero ver esse povo todo protestando e mostrando que a solução está chegando por trás de uma legenda milagreira, como foi um tal PT décadas atrás. Ai teremos novos líderes que repetirão tudo de novo, afinal, o problema não é a Copa, mas sim o brasileiro. Em 2016 teremos Jogos Olímpicos e até agora pouco se viu questionamentos sérios a respeito das contas deste evento. Vamos deixar para ser conscientes no segundo semestre de 2015, afinal novas eleições estarão chegando e quem estará de fora terá uma nova oportunidade de dar a volta por cima.

*Por Rodrigo Calvoso
Esse texto reflete a opinião pessoal do autor e não é um artigo editorial


07/04/14

SEM COMPARAÇÕES, MAS QUE SIRVA DE EXEMPLO

   Como foi divulgado durante esta semana, o Barcelona recebeu o aval dos seus associados para que o estádio Camp Nou fosse reformado. Mesmo se tratando de uma das maiores praças esportivas da Europa, a casa do Barça muitas vezes não consegue receber todos os seus apaixonados e por isso precisa ser ampliada, segundo os seus dirigentes. 

   Para a surpresa de muitos, o projeto, que ainda precisa da aprovação de órgãos governamentais, só terá início em 2017 e sua conclusão é prevista para 2021. Diante do que temos visto no Brasil, essa previsão do que acontecerá ao longo dos anos poderia servir de modelo, ainda mais se comparado com o que estamos vendo com os estádios da Copa do Mundo. 

   Além de dar tempo para que o empreendimento não seja feito às pressas, já se sabe desde já que muito provavelmente o cronograma será respeitado em sua plenitude. Além disso, outros departamentos do clube iniciarão os trabalhos paralelos, que garantirão o sucesso do projeto antes mesmo de que ele esteja finalizado. Já é de conhecimento público, por exemplo, que o naming right do novo Camp Nou já será colocado à disposição no mercado. Alguém duvida que antes que os primeiros operários iniciem os trabalhos, essa propriedade já esteja negociada? 

O estádio terá capacidade para 105 mil pessoas
   Graças a essa organização, todos os torcedores, principalmente aqueles que possuem cadeiras cativas ou camarotes, saberão de antemão quando seus lugares habituais estarão interditados e quais soluções alternativas serão propostas. Patrocinadores não serão pegos de surpresa, já que terão conhecimento que determinadas áreas passarão por momentos conturbados e assim poderão avaliar se será interessante manter seus nomes no local ou se optarão por alguma outra solução que lhe agrade mais. Essa postura do clube gera confiança naqueles que querem associar sua marca ao time e assim a engenharia financeira se torna muito mais rentável para ambos os lados. 

   Sem querer comparar os valores envolvidos, muito menos a estrutura profissional de cada clube, vale lembrar que o departamento de marketing do Botafogo lutava com valentia para conseguir angariar fundos para negociar o naming right do Engenhão, estádio que assumiu em 2007. Quando estava próximo de conseguir essa façanha, foi impedido de concluir o negócio pois o estádio teve que ser interditado, muito provavelmente devido a pressa na conclusão das obras que deveriam ser entregues para os Jogos Pan-americanos realizados no Rio de Janeiro. Vale lembrar que até o momento ainda não há nenhuma previsão oficial de quando o local estará pronto para voltar a receber jogos, lembrando que o mesmo será utilizado como centro de treinamento durante a Copa do Mundo e voltará a receber competições oficiais nos Jogos Olímpicos de 2016. 

Um novo ginásio com 12 mil lugares também será erguido
   Vendo tudo isso nos questionamos, será que os patrocinadores, que se planejaram para associar seus nomes ao estádio e as competições, ficaram satisfeitos por terem que mudar seus planos estratégicos de forma emergencial? 

   Além de receber um novo estádio com 105 mil lugares, um nova arena para outros esportes, com capacidade para 12 mil pessoas, novos estacionamentos e áreas comerciais, o Barcelona dá um exemplo de organização comercial e prova que, apesar de estar envolvido em alguns escândalos recentes, terá o aval dos parceiros, que investem e fazem do clube o gigante mundial que é, e dará o retorno esperado ao seu maior patrimônio, ou seja, os seus fãs apaixonados.

*Por Rodrigo Calvoso

14/10/13

RUSSIA PRETENDE REDEFINIR ORÇAMENTO

O governo russo está buscando reduzir o orçamento previsto para a construção e reforma dos seus estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2018. A ideia dos russos é que essa diminuição chegue até US$ 389 milhões.

Como forma de controle, os representantes governamentais já haviam criado um limite de 442 milhões para cada uma das sete novas arenas, porém segundo estudo dos órgãos responsáveis chegou-se a conclusão que esse limite deveria cair para 386 milhões.

De acordo com a agência de notícias R-Sport, a medida ainda não foi aprovada, porém alguns representantes do governo ligados aos órgãos esportivos já se mostraram contra a iniciativa alegando que este novo orçamento inviabilizará a construção dentro do que a Fifa sugere como mínimo aceitável.


O primeiro-ministro Dmitry Medvedev assinou em junho o Programa de Infra-estrutura, com um orçamento de 20.750 milhões dólares. O programa consiste de 292 instalações e eventos considerados essenciais para a realização da Copa do Mundo. Isso inclui os serviços nas áreas dos 12 estádios, criação de 113 locais de treinamento, 62 hotéis, reforma de 11 aeroportos, desenvolvimento de infra-estrutura de transporte necessária para o evento, reforço do sistema de energia elétrica, desenvolvimento de sistema de TI e infra-estrutura de comunicações.


13/10/13

O NOVO ETIHAD STADIUM

O Manchester City já está trabalhando para que o seu estádio seja ampliado. De acordo com os planos do clube a arena ganhará mais 13.500 lugares e passará a ter a capacidade de receber 61.500.

Caso o planejamento realmente saia do papel o Etihad Stadium passará a ser o terceiro maior estádio da Inglaterra, ficando atrás apenas do Old Trafford, que tem capacidade para 76 mil e 900 pessoas, e de Wembley, que pode receber 90.000 pessoas.


*Por Rodrigo Calvoso

10/07/13

MARACANÃ TRICOLOR

 A direção do Fluminense convocou a imprensa para uma coletiva na tarde de hoje, onde anunciará a parceira com o Consórcio Maracanã SA. Graças a essa parceria o clube voltará a mandar suas partidas no Estádio do Maracanã por pelo menos 35 anos. 

Dentre os benefícios que o clube terá como mandante do estádio será a destinação de vestiário exclusivo para a equipe, lado fixo para a torcida tricolor quando houver jogos com duas equipes cariocas, e a construção de uma loja oficial do clube nas dependências do estádio.

A assinatura do acordo faz parte das obrigações do processo licitatório que foi vencido pelo Consóricio Maracanã, que deve assinar com pelo menos duas grandes equipes cariocas. O Botafogo também sinaliza como um possível interessado em mandar seus jogos no estádio, devido a interdição do Engenhão, entretanto o acordo com o alvinegro deve ser de apenas 2 anos, período em que o estádio estará interditado. 

* Por Rodrigo Calvoso

03/07/13

UMA BOMBONERA EUROPEIA

A capacidade do Camp Nou passará a ser de 104 mil pessoas
O Barcelona já conta com dois projetos de reforma do Camp Nou nas mãos do seu presidente. Mesmo tendo em mente que seria mais interessante construir uma nova arena, Sandro Rosell, foi convencido pelos diretores que seria mais viável realizar uma reforma completa no atual estádio. 

Até o momento o projeto que desponta como favorito é de autoria do arquiteto Albert Blanch, que pretende transformar o local em uma verdadeira Bombonera da Europa. O maior palco do futebol espanhol passaria a contar com três níveis em todos os setores, que passariam a ser ainda mais verticais, lembrando muito o tradicional estádio do Boca Juniors, da Argentina. Além disso, a capacidade do novo Camp Nou passaria a ser de 104.000 espectadores, tornando o estádio o segundo maior do mundo destinado exclusivamente para futebol, ficando atrás apenas do Azteca, no México, que tem capacidade para 105.064 pessoas. 

O Mini Estadi dará lugar a uma arena multiuso
Esse projeto, que até o momento é o preferido da direção, alterará drasticamente o posicionamento de alguns setores de assentos, especialmente os chamados primera e segunda gradería, que passarão a ter os torcedores dos níveis mais elevados mais próximos, tornando a aparência do estádio semelhante a de um grande edifício. Além disso os setores localizados atrás dos gols também passariam a contar com este novo nível, o que certamente irá o visual do local muito mais vertical do que é conhecido hoje em dia. 

Visando oferecer conforto aos torcedores, ao contrário do que é atualmente, todos os locais serão cobertos e protegidos da chuva. Essa mudança diminuiria a quantidade de assentos do primeiro nível que será compensada no terceiro, que passará a ser mais alto do que é atualmente. Mas ao contrário do que possa se imaginar, a expectativa da presidência é de aumentar a receita por jogos, já que os setores de camarotes e assentos Vips, os que mais dão lucro, também serão aumentados na reforma. 

O projeto afetará também os espaços anexos do estádio.  Onde se encontra o chamado Mini Estádi, que é utilizado para treinamentos e jogos de categorias inferiores, será erguido o Nuevo Palau Blaugrana, uma arena multiuso para 10.000 expectadores, capaz de receber concertos e apresentações esportivas, tornando-se então em mais uma fonte de renda para o clube. O Barça também estuda criar um novo espaço anexo para aí sim receber jogos das categorias de base e jogos treinos. O projeto de mini estádio, como é conhecido hoje com aproximadamente 10.000 lugares, passaria a ser erguido na Ciutat Esportiva de Sant Joan Despí, CT do próprio clube. O setor conhecido como Palau Gel será ampliado e será dedicado para a área social da instituição e para a ampliação da loja oficial do Barcelona. 

As duas propostas serão colocadas em votação e os associados do clube deverão apontar a opção preferida da maioria no primeiro trimestre de 2014.

*Por Rodrigo Calvoso


01/07/13

NOVO ESTÁDIO DE BORDEAUX RECEBERÁ INVESTIMENTO DO GOVERNO

A França será a sede da Eurocopa 2016 e por esse motivo já começou a se preparar para receber o principal torneio de seleções do velho continente.

Dentre as novidades da competição teremos o novo estádio do Bordeaux, que tem previsão de inauguração em 2015 e sua capacidade será de 43 mil torcedores. O Futur Stade de Bordeaux substituirá o atual, inaugurado em 1938 e que passará a atender partidas de rugby, já que sua estrutura não oferece o conforto necessário para receber os 34 mil visitantes. Ele terá a sua capacidade reduzida e posteriormente será adaptado para também estar entre os melhores deste esporte. 

Devido aos protestos de moradores contrários ao
 investimento do governo  cronograma  foi atrasado
Ao contrário do que havia sido previsto, as obras começaram apenas em 2013, já que alguns moradores da região questionaram o investimento da prefeitura local, que arcará com aproximadamente 50% do orçamento da arena do clube, que tem previsão de custo de aproximadamente 160 milhões de euros.
Além de ser a nova casa do time de futebol do Bordeaux o estádio contará também com hotel, centro de convenções e terá ao seu redor um grande parque que irá revitalizar a área onde será localizado. O projeto é de autoria do escritório Herzog & de Meuron, que também participaram de projetos como da Allianz Arena e St Jakob-Park. 

A nova arena contará com um parque ao seu redor
Dentre os 43 mil lugares, a nova arena irá disponibilizar 3 mil business seats e mais mil lugares em camarotes VIPs. A escolha do local também não foi por acaso. O ponto é o local ideal para a convergência entre os principais meios de transporte público, que servirão aos torcedores que forem torcer para a sua equipe ou assistir os eventos ali sediados. Nesta região também estão instalados diversos centros de entretenimento esportivos que serão ainda mais valorizados com a nova arena.
* Por Rodrigo Calvoso



28/06/13

ANÁLISE: NOVO MARACANÃ

Vista praticamente dentro do gramado é ótima para os fãs
Após 3 partidas (2 oficiais e 1 amistoso) já é possível fazer um balanço de quais foram as primeiras impressões do novo Maracanã. 

De um forma geral o estádio está aprovado, sempre lembrando a ideia que reina entre a maioria daqueles que visitam o estádio da final da Copa de 2014, ou seja, esqueça tudo que você vivenciou no antigo estádio, aquelas emoções devem ser guardadas na memória, a partir de agora trata-se de um novo palco que em nada lembra o antigo “maior do mundo”.

Livrando-se desse saudosismo, podemos afirmar que o Rio de Janeiro finalmente conta com uma arena de alto nível e que oferece condições plenas de atender seus clientes. Aqueles que conseguiram adquirir ingressos para as primeiras fileiras podem se sentir praticamente dentro do campo e podem ouvir o jogo como se fosse quase um integrante da comissão técnica. Apesar de alguns torcedores terem se queixado de que o novo Maracanã não tem a mesma acústica do antigo, devemos destacar que com a proximidade das cadeiras os verdadeiros amantes do futebol podem sentir de forma mais intensa as partidas e escutar cada detalhe do jogo. 

Novas cadeiras aparentemente frágeis
As cadeiras, que tantas reclamações mereceram por parte dos primeiros visitantes, por terem se tornado armadilhas devido ao sistema de levantamento do assento, são infinitamente mais confortáveis do que as que ali estavam instaladas e nem devem ser comparadas com as do Engenhão por exemplo. Como ponto preocupante neste quesito, destacamos a aparente fragilidade das mesmas. 

Os bares dos níveis inferiores merecem muitos elogios, já que estão em grande quantidade e distribuídos de forma que ninguém, mesmo em jogos de grande público, pode reclamar. Já no setor 5 (mais elevado) percebemos que o número diminui consideravelmente e que nem mesmo os quiosques instalados nesta área deram vazão a demanda, principalmente no intervalo da partida. Além disso, o despreparo dos atendentes causou certa preocupação, pois a grande maioria não continha troco e não procuraram tomar nenhuma atitude para solucionar o problema, deixando de vender o produto na hora de maior pico. 

Excelente estrutura de bares nos níveis inferiores, porém
no setor 5 houve carência e despreparo dos profissionais
Neste setor também foi percebido a pequena quantidade de banheiros. Tanto na hora do intervalo como no final dos jogos os mesmos não deram vazão e as filas se estendiam para fora dos mesmos. Já nos primeiros setores, apesar da difícil localização haviam muitos banheiros com ótima estrutura. 

Para quem gosta de analisar o jogo os setores
superiores continuam  sendo locais especiais
Com relação a vista do gramado pode-se afirmar com segurança que cada setor tem seu charme. Como já comentamos, os lugares mais próximos é onde o torcedor pode vivenciar melhor o jogo, mas temos que admitir que, como em qualquer estádio europeu, aquele não é o setor onde é possível assistir o jogo de uma forma ampla. Isso é possível, de forma muito mais eficiente, dos setores mais altos, uma vantagem exclusiva do Maracanã. Ao contrário da maioria das arenas o Mário Filho se caracteriza por não ser tão alto e esse detalhe foi mantido na nova formatação, que permite ao torcedor uma visão plena, mesmo estando no último setor. 

Esquema de chegada e saída funcionaram perfeitamente
A área externa também merece todos os elogios. O esquema criado pela Prefeitura e a Secretaria Municipal de Transportes funcionou perfeitamente. O estímulo da utilização do transporte público, assim como  a frequência dos mesmos, em especial do Metrô deve ser exaltada e analisada se seria possível voltar a utilizada em futuros jogos de grande interesse. A estratégia de transformar o ingresso em ticket de metrô deve ser avaliada para todos os jogos, pois foi um dos grandes motivos desse sucesso. Vale a pena registrar a atuação do próprio Secretário Municipal de Transporte, atuando na operação ao lado dos funcionários de forma efetiva. Nota 10. Como ponto a ser melhorado foi a estação Del Castillo/Nova América, já que uma grande quantidade de torcedores optaram deixar seus veículos no shopping anexo e a estação não preparou nenhum esquema especial para o horário de saída dos torcedores. Resultado? A confusão que não foi notada em nenhuma estação na área do estádio foi vista de forma intensa neste local. Graças a boa vontade dos próprios passageiros, acidentes foram evitados e tumultos não chegaram a gerar maiores problemas.

Falha no desembarque do Metrô em Del Castillo
Resta aguardar a grande final da Copa das Confederações para ver como será o comportamento do torcedor em uma situação de stress. A segurança para essas partidas se mostrou muito eficiente e segura, mas até o momento ainda não ocorreu nenhum jogo que realmente esteja valendo. 

Teremos que ver também como será o esquema para os jogos que não serão organizados pela Fifa. Caso seja possível, o ideal seria que esse esquema fosse sempre mantido, porém sabemos que é difícil. A convivência dos adversários terá que ser mais sadia, pois o novo estádio está preparado para receber torcedores e não vândalos prestes a entrar em um coliseu. 

Você visitou alguma arena da Copa das Confederações? Nos envie sua opinião com fotos para que possamos compartilhar neste canal.

Apesar de cheio esquema de entrada muito bem sinalizado

Com a proximidade é possível perceber os detalhes do jogo

Mesmo modificado o Maracanã segue sendo um local especial

19/06/13

ESTÁDIO DE DISCÓRDIA

Em meio a uma das mais importantes competições do calendário da FIFA o Brasil, país sede da Copa das Confederações, entrou em ebulição e os novos estádios do país entraram na pauta dos protestos, tornando-se “vidraças” dos políticos envolvidos nas acusações de superfaturamento. 

Daniel Cruz / www.35mmcomunicacao.com
 É mais do que evidente que nenhuma pessoa gosta e vai aceitar passivamente ser explorado e ser feito de idiota. Uma hora o povo se cansaria dos constantes escândalos e daria um basta nesta situação. Na verdade essa oportunidade é dada aos brasileiros a cada dois anos, quando acontecem as eleições, mas como a situação ficou tão pesada não foi possível esperar até que isso voltasse a acontecer. 

O aumento das tarifas de transporte e a chegada de centenas de jornalistas estrangeiros para a cobertura da Copa das Confederações se tornaram o momento ideal, na visão dos organizadores do protesto, para que o povo fosse para a rua e externasse sua opinião contrária a tudo o que vem acontecendo. 

Como o foco desses estrangeiros era o evento da FIFA, foi natural que o tema da reforma dos estádios caísse no centro dos debates, até porque os custos dos mesmos deixaram mais dúvidas do que certezas.  Mesmo com todos esses questionamentos, a população que era em sua imensa maioria favorável a realização dessas competições no país, passou a questiona-las e até rejeita-las, com o argumento de que o investimento deveria ser em hospitais e escolas. 

Daniel Cruz / www.35mmcomunicacao.com
 É evidente, e por mais que sejamos amantes do esporte (e também de arenas esportivas), temos que admitir que a prioridade de um governo deva realmente ser cuidar da educação e da saúde do povo. Não que a prática esportiva não englobe esses dois aspectos, porém é fato que hospitais e escolas devem ser colocados como itens prioritários ao invés de arenas de entretenimento. 

Mas como tudo que envolve esse assunto não pode ser visto superficialmente, precisamos analisar o aspecto de uma forma crítica e imparcial. Por isso o questionamento é: será que se não houvessem as reformas dos estádios da Copa do Mundo nossos sistemas educacionais e de saúde estariam funcionando bem atualmente? Houve uma escolha prioritária nesses investimentos? Sinceramente creio que não. Em outras palavras, se não fosse a reforma dos estádios, aqueles que são mal intencionados arranjariam outra forma de se beneficiar, utilizando esquemas inescrupulosos. O grande problema não é a Copa do Mundo e sim a péssima escolha que nós brasileiros fizemos quando indicamos essas pessoas para nos representar. O problema não é a Copa, mas sim o mau político.

É claro que somos entusiastas das modernas arenas esportivas, que tanto farão bem para o nosso esporte. Queremos sim te-las por aqui, mas também exigimos que todas as contas sejam apuradas e, se por acaso for provado que houve desvio de verba, que se prendam os responsáveis.  

Daniel Cruz / www.35mmcomunicacao.com
 Queremos a Copa das Confederações, Copa da Mundo, Olimpíadas e todos os grandes eventos acontecendo no Brasil. O que não nos impede de também exigir, escolas de qualidade, hospitais dignos e um sistema de transporte eficiente para a população. Uma coisa não inviabiliza a outra. O que é preciso fazer é uma limpeza na mentalidade política de nosso país, onde cada um visa apenas o benefício próprio ao invés do coletivo. 

Felizmente parece que o brasileiro acordou e não aceitará mais ser colocado como um povo passivo. A redução das tarifas pode ter sido apenas o primeiro sinal de que estamos no caminho certo para isso. Vamos torcer para que tenhamos a capacidade para não perder o foco e saber o que realmente precisamos questionar, com organização e civilidade. 

* Por Rodrigo Calvoso  
Fotos: Daniel Cruz - www.35mmcomunicacao.com

23/05/13

POR UMA NOVA CULTURA ESPORTIVA

Desde o fim do ano passado até o presente momento uma discussão tem ganhado destaque no cenário esportivo nacional, a adaptação dos brasileiros as novas arenas esportivas, os benefícios e dificuldades que os frequentadores encontrarão para torcer por seus times.

 Modelos de negócios e custos de obras a parte, tendo em vista que o objetivo desta matéria não é discutir quem deve ficar com a gestão das arenas, é inegável que a construção destas arenas representa um grande avanço para o futebol brasileiro, podendo representar a profissionalização do futebol brasileiro, porém alguns cuidados e observações se fazem necessários para que não descaracterizemos o futebol brasileiro.

Começo por um ponto que talvez seja o mais polêmico hoje em dia, o custo dos ingressos e a obrigatoriedade de assentos em todos os setores, muitos dizem que com estas medidas estamos desfigurando o jeito brasileiro de torcer e copiando os europeus, bem como o aumento substancial do valor de tickets representa a cópia fiel do modelo implementado no Velho Continente.

 Concordo em parte com tal afirmação, porém há que se destacar que poderíamos adotar algumas medidas para equilibrar tal equação proporcionando desenvolvimento econômico e preservação cultural da torcida brasileira. Prática muito comum no festejado futebol alemão é a setorização no interior da arena, que permite aos menos abastados assistir aos jogos num local de preços populares, onde não existem assentos e pode-se ficar em pé, sendo por exemplo este setor o da muralha amarela do Borussia Dortmund no Iduna Park, que encantou o mundo a algumas semanas atrás com seu mosaico em 3D. Com esta simples mudança, poderíamos criar setores atrás dos gols onde os valores seriam inferiores a preservaríamos a cultura de torcer em pé, e, quando a competição não permitir por regulamento este tipo de ação, casos da champions league e competições FIFA os assentos seriam recolocados, o que ocorre no mesmo Iduna Park.

Mesmo nos setores mais luxuosos, os valores poderiam ser inferiores caso os clubes tivessem participação nas receitas de match day e outros eventos esportivos ou não, que a arena abrigar, o que não está acontecendo atualmente, concordo que os clubes brasileiros não tem condições de gerir tais empreendimentos, bem como muitas destas obras foram custeadas com capital privado de construtoras que precisam recuperar seus investimentos. Porém, um modelo de divisão de receitas total iria atender todos os interesses, pois os clubes não iriam depender exclusivamente de bilheteria, e poderiam baratear o custo dos mesmos, tendo em vista que teriam participação em todas as receitas geradas no dia de jogo, como estacionamentos, bares, restaurantes, hospitalidade e etc. Além disso, embora dividindo os lucros com os clubes os gestores teriam casa cheia toda semana, o que garantiria uma arrecadação maior.

*Por Mario Bini

     

20/05/13

UM EXÓTICO LEGADO DA GUERRA FRIA

Mmabatho Stadium conta com um dos
mais exóticos projetos arquitetônicos
 Você está habituado a ver por aqui os detalhes e conhecer o que há de mais moderno no universo das arenas esportivas, entretanto desta vez, resolvemos mostrar uma solução (não muito eficaz) para as dificuldades impostas pelas necessidades de um projeto, até então inovador. 

O ano era 1981 e a cidade de Mafikeng, na África do Sul, celebrava a inauguração do Estádio Mmabatho, um dos maiores do país e tido como um dos mais modernos. Sua estrutura peculiar dava um ar imponente e justificava a fama de inovador, mas o que se temia acabou se tornando realidade. Hoje o local é mais conhecido por sua excentricidade do que pela sua eficiência.

O projeto russo tinha conceito de modernidade para a época
 Passados 32 anos a arena esportiva, que basicamente recebe partidas de futebol, segue de pé e em pleno funcionamento. Como era de se imaginar o mesmo não foi utilizado na Copa do Mundo realizado naquele país em 2010 e hoje é considerado um dos mais estranhos estádios do mundo. 

Projetado por arquitetos russos, em plena Guerra Fria, a ideia original era mostrar que esses profissionais estavam a frente de seu tempo e assim mostrar aos sul africanos a qualidade dos serviços desenvolvidos na então União Soviética, e de quebra, fazer uma propaganda do sistema governamental daquela região. 

A arena desde que foi inaugurada tem capacidade para receber 59.000 torcedores, que são distribuídos em diversos setores, identificados por cores, que são arquibancadas em forma de rampas e duas grandes áreas centrais que recebem a maior parte dos fãs.

Apesar de não contar com um formato tradicional, nem ser muito recomendado, o Mmabatho Stadium ganhou fama internacional por ser um dos mais estranhos palcos do esporte mundial. Até hoje existem diversas teorias para a construção em forma de tabuleiro, porém a que mais é aceita e difundida é a de que os arquitetos queriam inovar para mostrar a eficácia soviética. Pode-se dizer que eles realmente conseguiram ser inovadores...

*Por Rodrigo Calvoso






14/05/13

PARECE UM PLANETÁRIO MAS É UMA ARENA ESPORTIVA


 Até o dia 19 de maio acontece na Suécia o Campeonato Mundial de Hockey no Gelo e o estádio que sediará a final da competição é uma atração a parte. A Ericsson Globe Arena, situada na cidade de Estocolmo, conta com uma arquitetura peculiar, que chama a atenção mesmo de quem não é apaixonado por esporte.

Como o nome do local diz a arena é em forma de globo e lembra muito um grande planetário. Inaugurado em 1989, hoje a estrutura comporta receber até 16.000 pessoas e oferece uma acústica única para esse tipo de instalação.  Construída para ser uma referência do hockey no gelo, a maior construção esférica do planeta já recebeu também competições de basquete e abriu suas portas para músicos como AC/DC, Shakira, Oasis, Metallica, entre outros.

O local também recebe diversos eventos de grande porte

Além das facilidades de acesso e visão privilegiada de qualquer ponto do interior da arena, o visitante também conta com camarotes executivos, parcerias com hotéis da região, onde pode além de comprar o ingresso online já realizar a reserva do quarto ao mesmo tempo. A Ericsson Globe Arena também oferece estrutura para a realização de eventos corporativos, seminários e festas.

O passeio pelo exterior da arena é uma
das principais atrações da cidade
Se do lado de dentro a Arena oferece serviços comuns a diversas outras espalhadas pelo mundo, no exterior ela disponibiliza um serviço distinto que chama a ainda mais a atenção, a Sky View. Trata-se de uma das principais atrações da cidade, onde o visitante pode fazer um passeio pelo lado de fora do globo, a bordo de uma cabine panorâmica.

Esta cabine, que é uma mistura de trem e roda gigante, atinge 130 metros de altura e consegue levar 16 pessoas simultaneamente, oferecendo uma vista única da belíssima cidade sueca. O tour leva em torno de 30 minutos e é realizado diversas vezes ao longo do dia. Os gestores da arena também oferecem a possibilidade da realização de passeios em grupos e até casamentos no local.  Sem dúvida seria uma bela forma de oficializar uma relação nas alturas!

*Por Rodrigo Calvoso

Artistas de renome já se apresentaram ali

A Globe Arena sediará a final do Mundial
de Hockey no Gelo, no  dia 19 de maior

A arena compõe uma das mais belas vistas de Estocolmo


07/05/13

RIO GANHARÁ NOVO ESTÁDIO

O estádio passará a contar com 15.000 lugares

A Associação Atlética Portuguesa (RJ) apresentou na noite de ontem o projeto de ampliação do seu estádio Luso Brasileiro, situado na Ilha do Governador.

No evento os arquitetos mostraram a preocupação de tornar o estádio em uma obra “verde”, onde a água da chuva será reaproveitada e parte da geração de energia será produzida através da captação de energia solar.

Além da ampliação da arena dos atuais 3.500 lugares para 15.000 assentos, o projeto prevê a criação de um hotel, um restaurante panorâmico e um centro de convenções que, de acordo com os responsáveis pelo projeto, atenderão a demanda oriunda do aeroporto internacional e toda a região da Baixada Fluminense.

Segundo a apresentação, a obra será totalmente custeada pelo setor privado, que terá como contrapartida a cessão do direito de uso e administração do hotel, que contará com cerca de 370 quartos, e do centro de convenções para 600 pessoas.

A arena também terá hotel e um centro de convenções 
O anúncio desta empreitada chega em um momento que a cidade do Rio de Janeiro passa por uma grave crise no setor, já que o Engenhão encontra-se interditado, São Januário não suporta receber jogos de duas grandes torcidas e o Maracanã, que ainda não foi inaugurado oficialmente para o público em geral, ainda não tem uma definição clara a respeito de sua administração e valores para utilização. Por isso, todos os representantes do clube estão bastante otimistas com relação ao sucesso do empreendimento.

- Nossa cidade e a Ilha do Governador precisam de empreendimentos dessa magnitude. Tenho certeza que a revitalização do Estádio Luso Brasileiro atenderá toda a demanda reprimida nessa região e servirá de opção para os clubes cariocas, que hoje precisam buscar campos alternativos para jogar. – destacou o presidente do clube, João Rego, que também confirmou que a previsão de conclusão do projeto é de 36 meses e o prazo de captação de recursos é de 6 meses.

Essa não será a primeira vez que o estádio da Portuguesa Carioca será ampliado. Em 2005, quando o Maracanã passou pela reforma do Pan Americano, foi criada ali a Arena Petrobras, que sediou os jogos de Flamengo e Botafogo durante o campeonato brasileiro. Nesta ocasião, mesmo com uma estrutura provisória, a arena se tornou um dos estádios que teve as melhores médias de público do país. Em 2011 tentou-se criar um projeto semelhante ao apresentado agora, porém devido a divergências internas do clube, ele não saiu do papel. Resta torcer para que os cariocas tenham mais uma boa opção de estádio, como já destacamos anteriormente

*Por Rodrigo Calvoso

06/05/13

MENTE SÃ. CORPO SÃO. E O PLANETA NÃO?

O post de hoje será uma publicação de um de nossos parceiros, a Nova Guarda Consultoria, empresa especializada em projetos de sustentabilidade. Durante a visita ao evento Arnold Classic Brasil, Cassio  Novo observa detalhes que muitas vezes passam desapercebidos dos gestores de eventos esportivos, que poderiam gerar receitas, colaborar com o meio ambiente e valorizar a imagem da sede da atividade. 

Confira a matéria e recomendamos a constante visita ao blog da Nova Guarda. 


No último final de semana, 27 de abril, ocorreu no Rio de Janeiro o Arnold Classic Brasil 2013. Pela primeira vez organizado em um país da América Latina, o evento foi realizado pelo mais famoso dos fisiculturistas, ator e ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

Sob o ponto de vista cultural o evento foi um tremendo sucesso. O evento é pensado para -além de possibilitar negócios – aproximar o publico de seus ídolos do fisiculturismo e aumentar a interação entre as pessoas e suas referência no esporte. Era muito comum vê-los circulando entres os estandes, tirando fotos com fãs, dando dicas e conselhos ou simplesmente interagindo. Mais importante ainda perceber como uma das tribos que tanto sofre com o estigma de gigantes embrutecidos pode atrair tantas pessoas para um mesmo local. E promover interessantes possibilidades de interação social entre grupos distintos mas que partilham de interesses comuns. Muitas crianças estiveram presentes no evento e não era raro perceber como aquelas montanhas repletas de músculos as tratavam com carinho, gentileza e atenção.

Do ponto de vista da organização do evento não se pode dizer que foi um fracasso. Mas a nossa capacidade de realizar eventos de algum porte é muito abaixo do que se espera de um país que deveria estar se preparando para realizar os mega eventos que se aproximam em sua agenda. Falta de informação, inexistência de indicação visual para facilitar e agilizar a experiência dos visitantes para entrar, usufruir e sair do local do evento chamaram a atenção. Ambiente caótico no interior no pavilhão com muitas pessoas circulando pelos mesmos locais, formando filas para tudo sem orientação de qualquer pessoa da produção do evento ou dos expositores e a já conhecida tendência de alguns de achar que furar a fila é sempre a melhor saída para otimizar a resolução do SEU problema…

Do ponto de vista da sustentabilidade em eventos: uma catástrofe! Se o Rio de Janeiro busca se firmar como polo atrativo de novos negócios deveria estar mais atento a este ponto. O evento, em nenhum momento, soube aproveitar as possibilidades existentes para tornar mais agradável, eficiente, menos dispendiosa ou reduzir o impacto ambiental de sua realização. Vamos começar pelos pontos positivos que deixaram de ser contemplados?

O evento ocorreu no Centro de Convenções SulAmérica (CCSA). Localizado em área central, muito próximo da estação do metrô Estácio (200m), o evento poderia ter estimulado a utilização do metrô como uma alternativa interessante para o público. Essa medida, além de reduzir a emissão de gases nocivos ao ambiente, facilitaria a chegada de atletas que, em grande parte, chegavam de aeroportos e terminais rodoviários de táxi ou carros e possuíam horário certo para suas apresentações. Durante grande parte dos 3 dias de evento o entorno do CCSA esteve abarrotado de carros e motoristas sem saber ao certo onde estacionar. A própria página do CCSA poderia ter sido utilizada pela organização do evento (http://www.ccsulamerica.com.br/localizacao.aspx#acessibilidade).

Poderia ter sido oferecida uma gama mais variada de opções para alimentação. Existia uma área de alimentação no interior do pavilhão. Contudo, eram escassas e muito pouco saudáveis as opções de um evento que, em última análise, ofereceu alternativas para uma vida menos sedentária, mais ativa e promotoras de melhores condições de vida e de saúde.

E os aspectos negativos?
Já falamos sobre os problemas relacionados à falta de sinalização e pessoas capacitadas ou em quantidade suficiente para esclarecer ou informar.

Música alta e diferente em cada um dos estandes. Entendo que a música faz parte e cria uma atmosfera em eventos como este. Mas quando não se pode conversar, quando se há disputa entre os estandes para ver qual deles a coloca em volume maior ou quando se dificulta a compreensão do que é dito pelo locutor oficial ao apresentar os atletas no palco podemos intuir que houve algum problema na gestão do som.

Por falar em dificuldade de falar e entender…em um evento internacional que recebe seu nome em inglês e apresenta diversos atletas internacionais, com empresas estrangeiras oferecendo seus produtos e produtos brasileiros com nome em inglês é inadmissível a falta de placas e informações em inglês. As poucas que existiam eram sempre escritas à mão pelos expositores ou aquelas referentes ao CCSA que contam com a tradução para banheiros, escadas, etc…mais um ponto que a produção deixou a desejar!

O campeão, como geralmente é, foi o lixo! A quantidade de resíduos gerados foi imensa! Como a grande maioria dos expositores (96 no total de acordo com o site oficial do evento) era constituída de empresas que vendem suplementos alimentares quase todos ofereciam amostras grátis (pequenas doses) de seus produtos assim como folhetos ilustrados. Em cada estande existiam grandes recipientes multicoloridos com os suplementos, belas modelos para chamar a atenção e uma pilha de copos plásticos para colocar o produto para degustação. Esses copos eram utilizados, quase em sua totalidade, apenas uma vez, pois o próximo suplemento a ser provado teria outro sabor. E era descartado nas raras lixeiras próximas aos estandes ou pelo chão do pavilhão! O mesmo acontecia com os folhetos.

Tivemos, portanto, uma orgia de desperdício! O resultado foram montanhas de lixo espalhadas por todos os cantos do CCSA e retiradas de tempos em tempos pelas equipes de limpeza. Montanhas que, de tão imponentes, atrapalhavam o fluxo das pessoas e contribuíam para aumentar a sensação de caos, confinamento do interior do pavilhão além de oferecer aos seus visitantes, expositores e produtores perigo de acidentes.


Como não me sinto à vontade de “apenas criticar” gostaria de dividir com vocês uma interessante alternativa que me ocorreu enquanto estive no evento. Imagino que contribuiria de forma eficiente e barata para a redução dos impactos negativos relacionados à geração e ao incorreto descarte dos resíduos e, por outro lado, poderia ser mais um elemento para, gradativamente, transformarmos a forma como entendemos e nos organizamos para receber ou promover eventos em nossa cidade, em nosso país.

O ingresso do Arnold Classic era um moderno cartão contendo um código de barras. Este era validado na bilheteria por um leitor digital e o seu portador era admitido no pavilhão.


E se ao invés do cartão o ingresso fosse uma caneca? E se nesta caneca estivesse impresso o mesmo código de barras? A caneca seria apresentada na portaria, o código identificado pelo leitor e a admissão ocorreria normalmente. No interior do pavilhão não haveria copos ou recipientes para se saborear as centenas de suplementos. Necessariamente a caneca deveria ser utilizada para este fim. No site oficial do evento deveria estar explicado o porquê da caneca e o compromisso da organização pela realização de um evento comprometido com a redução de impactos ambientais negativos.

Vejam bem: somente com uma ação – a substituição do cartão pela caneca – teríamos um mesmo objeto sendo pensado e produzido para ter mais de uma função (ingresso e recipiente para os suplementos), oportunidade de educar pelas informações e pelo exemplo, uma IMENSA redução na quantidade de resíduo gerado e indevidamente descartado, a melhoria do fluxo das pessoas no ambiente do evento, maior limpeza, menor risco de acidentes, menor probabilidade de vetores de doenças capazes de contaminar a área de alimentação (ou as marmitas que boa parte dos atletas carrega consigo e deixa no chão de seus estandes enquanto se apresentam ou trabalham), pouparia a matéria prima utilizada para produção dos milhares de copos plásticos utilizados, reduziria os custos da organização além de a caneca poder ser mais um souvenir capaz de levar a logomarca do evento, seus patrocinadores e da organização para muitos outros locais, ampliando a visibilidade dos investidores e prolongando o retorno do investimento feito no evento.



De que adianta, portanto, mente sã, corpo são, se não teremos uma cidade, um país, um planeta sadio capaz de nos acolher, abrigar? O exemplo da caneca é pequeno e poderia fazer parte de um todo muito mais complexo, repleto de outras pequenas ações como esta. Com certeza não é fácil e mudar nossa forma de ver o mundo e interagir com o meio que nos cerca é difícil e dolorosa. Mas a recompensa vale o esforço.

Como o lema dos fisiculturistas diz: No pain, no gain! (sem esforço, sem ganho!)

Cassio Novo com colaboração de Livia Cuesta

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01/05/13

UM GIGANTE


Caros amigos, em pouco tempo a Europa irá parar para assistir mais um clássico do continente, Barcelona e
Bayern se enfrentarão em um dos mais tradicionais palcos esportivos do mundo. Por isso hoje venho repercutir a magnitude e importância do Camp Nou, estádio do Barcelona, que foi inaugurado em 27 de setembro de 1957. Primeiramente chamado de Estadi del Fútbol Club Barcelona, mudou sua nomenclatura em 2000, após votação entre os torcedores, sendo escolhido este nome, pois foi o terceiro estadio do Barcelona. Em 1981 foi ampliado para a disputa da copa de 1982, passando para 150.000 espectadores. Permanecendo assim até 1988, quando para se adequar aos padrões da União das Federações Européias de Futebol, UEFA, colocou assentos para um total de 99.354 espectadores.

Com esta capacidade o Camp Nou é o quinto maior estádio de clubes do mundo e o maior da Europa. Desde a temporada 1998/1999 é considerado um estádio cinco estrelas pela UEFA. A sede administrativa e social do FC Barcelona se encontram dentro do estádio. Possui também uma área vip ao lado do camarote presidencial, com uma sala com 800 metros quadrados, para promoções de relações entre empresas com serviço diferenciado de bar e estacionamento, restaurantes, uma loja de artigos do clube com 2000 metros quadrados, um museu, sendo que este é o mais moderno do mundo com paredes interativas e exposições audiovisuais para explicar a história do clube, com uma parte multimídia para desfrutar experiências com os cinco sentidos. Disponível para quem quiser conhecer através de um tour.


O museu do Barcelona é um dos melhores do mundo
Além disso o complexo do Barcelona ainda possui um estádio menor com capacidade para 20.000 espectadores, "Mini Estadi", para o Barça "B", um ginásio multiuso com 8.000 lugares e um dormitório para os atletas das divisões de base do clube.

Vemos mais uma vez o quão vital é para um clube ter o seu próprio estádio para poder abraçar o seu torcedor, além de mostrar para os amantes do futebol a sua história e assim fazer com que traga cada vez mais lucro para o clube, não só em dias de jogos, mas com tours e outros eventos. Um estádio de grande porte, um aliado do gigante Barcelona.

* Por Allan Benigno